Folha em Branco

Autor: Darlan Villalba /

Lamentavelmente abandonei por um tempo meu blog. Passei por diversos momentos em minha vida, muitos que achei desnecessário relatar, mas no fim vi o tamanho do meu engano por ter cometido este erro.

Apresento a vocês uma historia que vivi no dia de hoje que contem uma horrível realidade paralela, no ponto mais épico de minha vida...

Folha em Branco
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Nos fins de semana a praça vivia sempre cheia de crianças, o caminho cheio de cerejeiras entrava em contraste com o lindo vestido florido de uma jovem mãe, seu corpo magro e suave confundia-se com o formato das arvores. Trazia uma rosa no cabelo e seu sonho era lecionar ou trabalhar com telemarket, este era seu nome: Rosa, O Anjo Mensageiro, que carregava um segredo no coração.

Rosa sentava-se no banco da praça com seus dois filhotes. Dois lindos bebês que conheceram o mundo a poucos meses. Era um dia especial, o ultimo domingo que ela visitava tuas crias, um dia de desprezo e alegria. Teu filhote mais novo fazia aniversario, mas rosa era muito humilde não tinha como dá algum presente a eles. A pequena dormia em teu colo e balançava o rabo enquanto a mãe acariciava tua cabeça. Com um sorriso pálido cantava uma musica de ninar, cheio de tristeza e rancor. Rosa olhava diante de si duas arvores que separavam-se, nunca se encontravam ou se tocavam. Rosa sabia que suas crias nunca a consideravam como mãe, chamavam-na de “Tia”. No meio da cantoria de ódio e vingança, lembrava-se de um passado triste e de um presente cheio de maus momentos.

Acreditava que sua vida seria mais feliz se estes dois pequenos tivessem sido gerados em seu ventre. Mas Rosa tinha um companheiro que a achava amarga, fria e de sorriso apático. Mas ela desejava muita felicidade, tanta, que só desejava para ela. Teu companheiro a trocou por uma Rosa Vermelha e Rosa viveu a chorar e a invejar. Quando veio ao mundo as duas pequenas, ela desejou toda a infelicidade do mundo ao seu ex. Naquele tempo, abortaram dela tuas crianças.

No fim da tarde, o sol descia ao firmamento e queimava o céu num vermelhidão encantador. Antes de se despedir, Rosa lembrava-se que trazia na bolsa dois iogurtes contigo. Não tinha nada a dá, apenas isto, para eles nunca se esquecerem dela. Antes mergulhou em cada iogurte lagrimas de felicidade, pílulas rosadas como sua pele. Os dois ratinhos lamberam até o fundo dos frascos, agradeceram-na dando um belo abraso e ela retribuiu sorrindo com a expressão mais fria que o inverno.

Quando os ratinhos dormiram no banco da praça, ela largou teus corpos frios e saiu balançando o rabo, com o focinho empinado lambendo os lábios na doce vingança.

Rosa atormentava-se todas as noites em sua casa. Via nas paredes os rostos dos ratinhos implorando por ela que os despertassem. Era atormentada por pesadelos vividos nas apertadas paredes de sua casa. Via sempre os pais-ratazanas chorando por suas crias e culpando-a de morte pelo bárbaro crime. Rosa se desesperou ao cair da cama vendo os ratinhos agarrados em cada perna, famintos, imploravam pelas gotas de felicidade que empalideceram tuas faces pela eternidade.

Ela correu pela rua em busca do perdão das ratazanas, mas neste momento passou o centro de controle de animais e a enjaulou enquadrando-a como louca.

Os ratinhos sobreviveram, o mais novo ainda continua no veterinário e o outro permanece junto aos seus pais.

Aqui termina a historia de Rosa, A Raposa. Desejaria muito ver um final feliz a ela, mas para mim só me resta uma pagina e nela não cabe um final feliz.

Rosa um dia lhe visitarei no cárcere, espero que você tenha se recuperado do surto.
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Lendo esta crônica ela poderia receber qualquer outro titulo O Anjo Mensageiro ou “A Raposa e os Ratinhos”, mas merecidamente recebeu o titulo de “Folha em Branco”.

Pois hoje houve uma folha em minhas mãos, todos a minha volta estavam ocupados e a Rosa que continha no texto ria de mim...