Um Conto de Fadas

Autor: Darlan Villalba /

“Elas estão a toda parte, brincando nas praças, envolvendo a todos com luz e colorindo este mundo com alegria. Ninguém consegue vê-las, pois estão todos ocupados com suas acomodações...”

Um Conto de Fadas
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Chagas eram curadas pelas mãos do Santo, sentimentos eram transferidos na linguagem do coração, devolvendo a paz e a tranqüilidade aos ouvintes. Dos lábios de quem os expressava, palavras ganhavam vida, emoção e amor a cada minuto. Mas em seu interior o Narrador sentia-se perturbado. Via apenas com seus olhos, sentado junto à porta, uma pequena fada. Comportada, concentrada, como se aqueles modos fossem totalmente contra sua verdadeira natureza.

O Narrador fechou o livro e os corações confortaram-se com a sua promessa em continuar a historia do Santo algum dia. Mas a sua mente estava inquieta com a presença da fada, que seguiu seus passos logo depois que abandonou o recinto. O nome dela era Liss, apenas ele sentia seu encanto, seu brilho, sua doçura. Logo ele estava envolvido com seu amor e com suas brincadeiras. A muito tempo não se envolvia com uma fada e prometeu nunca fazer isto, para não cair em seus encantos e nas suas ilusões.

Quando criança conhecemos estas pequenas criaturinhas. Como a inocência fazia parte de nossos corações, não éramos seduzidos ou embriagados com seu doce licor. Quando crescemos, abandonamos o reino delas e nos dedicamos a outros amores. Mas nem todos se esquecem delas. Alguns vivem no passado alucinando-se a cada lembrança. Outros observam apenas a distancia, lambendo os lábios desejando prová-las. Mas há os que se arriscam no Mundo das Fadas, experimentam seu delicioso licor, tornam-se imediatamente loucos e ficam presos no mundo delas. Um vicio que não tem volta.

Enquanto servia-se de um belo lanche, Liss agarrava-se em suas pernas. Se deseja-se, com apenas um “Não” ela se afastaria dele. Mas nunca teve a experiência com uma fada. Muitos dizem que não há sabor mais delicioso que o delas, que os deuses largariam os céus em troca disto. Em toda a sua vida ele observou as fadas, muitos não conseguiam vê-las, mas ele nunca as esqueceu. Nunca se arriscou em possuí-las, em saboreá-las, ele temia a droga que já matou a tantos.

Aquela era uma oportunidade única, jamais alguma se afeiçoou tanto a ele. Já houve momentos em senti-las bem próximas de seu corpo ou desnuda-las diante de seus olhos. A Liss era diferente, ela vivia sorrindo e rindo a qualquer coisa, voava e rodopiava a sua volta. Parece que ela fazia daquela casa seu lar, único lugar que ele presenciava sua companhia. Houve tempos que ele apenas adentrava no casebre para encontrá-la, momentos raros de pura alegria. Agora ele vivenciava a mesma emoção tendo-a agarrada em sua cabeça ou entre as suas pernas.

A poucos dias ele superou diversos obstáculos na vida e estava pronto em passar pelo Portal de Ouro maciço, estava pronto até para morte ou para ascensão, mas em seu passado ele deixou vivo um assunto pendente que o perseguia. Obstinava compreender a natureza das fadas .

Liss a cada momento sedia espaço as suas investidas. Ele sentia a boca secar desejando por tudo prová-la. Toda vez que a segurava entre as mãos, ela fugia como uma faísca. Não sabia se ficava perto dele por pura inocência ou apenas para provocá-lo. Mas toda aquela diversão não durou muito, ela ouviu alguém chamando-a. Voz que ele não conseguiu pressentir. Ela voou entre as grades da janela e sumiu na rua.

Pouco momento junto com aquele encantador ser durou uma eternidade. Exausto sentou numa cadeira e tomou um gole d´agua. Parece que uma parte de sua alma foi arrancada, ela lhe tirou um pouco de sua energia.

Dias depois, ele se envolveu na escuridão, procurando uma resposta para aquele fenômeno.

Enquanto isto mais se afastava do Portal de Ouro...


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Foi muito difícil tornar real este texto, mesmo que seja de facil leitura. Pois é arriscado falar sobre o Mundo das Fadas sem ser tachado como louco...

Folha em Branco

Autor: Darlan Villalba /

Lamentavelmente abandonei por um tempo meu blog. Passei por diversos momentos em minha vida, muitos que achei desnecessário relatar, mas no fim vi o tamanho do meu engano por ter cometido este erro.

Apresento a vocês uma historia que vivi no dia de hoje que contem uma horrível realidade paralela, no ponto mais épico de minha vida...

Folha em Branco
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Nos fins de semana a praça vivia sempre cheia de crianças, o caminho cheio de cerejeiras entrava em contraste com o lindo vestido florido de uma jovem mãe, seu corpo magro e suave confundia-se com o formato das arvores. Trazia uma rosa no cabelo e seu sonho era lecionar ou trabalhar com telemarket, este era seu nome: Rosa, O Anjo Mensageiro, que carregava um segredo no coração.

Rosa sentava-se no banco da praça com seus dois filhotes. Dois lindos bebês que conheceram o mundo a poucos meses. Era um dia especial, o ultimo domingo que ela visitava tuas crias, um dia de desprezo e alegria. Teu filhote mais novo fazia aniversario, mas rosa era muito humilde não tinha como dá algum presente a eles. A pequena dormia em teu colo e balançava o rabo enquanto a mãe acariciava tua cabeça. Com um sorriso pálido cantava uma musica de ninar, cheio de tristeza e rancor. Rosa olhava diante de si duas arvores que separavam-se, nunca se encontravam ou se tocavam. Rosa sabia que suas crias nunca a consideravam como mãe, chamavam-na de “Tia”. No meio da cantoria de ódio e vingança, lembrava-se de um passado triste e de um presente cheio de maus momentos.

Acreditava que sua vida seria mais feliz se estes dois pequenos tivessem sido gerados em seu ventre. Mas Rosa tinha um companheiro que a achava amarga, fria e de sorriso apático. Mas ela desejava muita felicidade, tanta, que só desejava para ela. Teu companheiro a trocou por uma Rosa Vermelha e Rosa viveu a chorar e a invejar. Quando veio ao mundo as duas pequenas, ela desejou toda a infelicidade do mundo ao seu ex. Naquele tempo, abortaram dela tuas crianças.

No fim da tarde, o sol descia ao firmamento e queimava o céu num vermelhidão encantador. Antes de se despedir, Rosa lembrava-se que trazia na bolsa dois iogurtes contigo. Não tinha nada a dá, apenas isto, para eles nunca se esquecerem dela. Antes mergulhou em cada iogurte lagrimas de felicidade, pílulas rosadas como sua pele. Os dois ratinhos lamberam até o fundo dos frascos, agradeceram-na dando um belo abraso e ela retribuiu sorrindo com a expressão mais fria que o inverno.

Quando os ratinhos dormiram no banco da praça, ela largou teus corpos frios e saiu balançando o rabo, com o focinho empinado lambendo os lábios na doce vingança.

Rosa atormentava-se todas as noites em sua casa. Via nas paredes os rostos dos ratinhos implorando por ela que os despertassem. Era atormentada por pesadelos vividos nas apertadas paredes de sua casa. Via sempre os pais-ratazanas chorando por suas crias e culpando-a de morte pelo bárbaro crime. Rosa se desesperou ao cair da cama vendo os ratinhos agarrados em cada perna, famintos, imploravam pelas gotas de felicidade que empalideceram tuas faces pela eternidade.

Ela correu pela rua em busca do perdão das ratazanas, mas neste momento passou o centro de controle de animais e a enjaulou enquadrando-a como louca.

Os ratinhos sobreviveram, o mais novo ainda continua no veterinário e o outro permanece junto aos seus pais.

Aqui termina a historia de Rosa, A Raposa. Desejaria muito ver um final feliz a ela, mas para mim só me resta uma pagina e nela não cabe um final feliz.

Rosa um dia lhe visitarei no cárcere, espero que você tenha se recuperado do surto.
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Lendo esta crônica ela poderia receber qualquer outro titulo O Anjo Mensageiro ou “A Raposa e os Ratinhos”, mas merecidamente recebeu o titulo de “Folha em Branco”.

Pois hoje houve uma folha em minhas mãos, todos a minha volta estavam ocupados e a Rosa que continha no texto ria de mim...

O Canto da Andorinha

Autor: Darlan Villalba /

O sol custava em acordar, pois ainda se recordava dos belos momentos com a sua companheira lua. O dia ainda dormia numa bela e aconchegante brisa e custava-lhe abrir os olhos. Mas, o tempo chamava todos a dar boas vindas ao outono.

Ali, bem próximo, o João-de-Barro cantava, fazendo-se ouvir por todo o campo. Aquele pássaro era o mais vigoroso do bosque e todas as fêmeas o amavam; menos uma que ele jamais conseguira conquistar - a Andorinha.

A linda donzela era rejeitada por todos, por ser diferente. Sendo de outra espécie, era sempre excluída do grupo. Andava sempre sozinha, mas cantava muito bem. João, então, sentiu que poderia compreender seus sentimentos e desejou cortejá-la.

A Andorinha tinha uma linda casa, entre os telhados de uma mansão, de onde se via toda a algazarra dos outros pássaros do bosque. O frio chegava e todos os migrantes davam seu adeus. Menos ela.

João, esperto como sempre, notou o descontentamento da jovem solitária e aproximou-se dela, oferecendo-lhe o ombro e mostrando-se ser um grande amigo. Ele, com a experiência de tantos amores, viu a oportunidade que esperava.

Ela falou-lhe de seus pesares; vivera um amor com um belo rapagão... era o amor que tanto sonhara, mas que quando iriam conhecer o calor da primavera no outro lado do mundo, ele a abandonara; sem sequer um adeus.

Ele ouvia tudo com atenção, alisando a macia pluma de sua cabeça. Disse-lhe que seria seu amigo e num abraço, abafou as lágrimas que teimavam em cair, comprometendo-se a realizar qualquer desejo para vê-la feliz novamente.

Ela, tomada pela euforia, fez-lhe, então, um pedido: - Venha comigo cruzar o mundo! Muitos lugares lindos iremos vivenciar, onde a chegada do inverno não roubará a beleza das flores.

João fora pego de surpresa! Viu que nas asas da Andorinha, espaço não teria. A liberdade era a canção que embalava a sua vida. Olhou para trás e viu os amigos que viviam com ele na longa jornada de boemia e lascívia.

O que fazer? O amor é um barco tão inseguro que o coração sofre, temendo não chegar à outra margem. A vida conquistada se torna tão rotineira e agradável que não há desejo de mudanças; de viver uma nova aventura, com o intuito de esquecer-se do passado. E, largar uma vida que é o espelho de todos os seus desejos???...

João a abraçou. Disse-lhe que sempre apreciara o seu cantar e o seu voar; que nenhum dos amores que tivera poderia se igualar à sua beleza; que já estava vivendo um sonho do lado dela, desejando não mais acordar; e, finalmente, marcou um encontro no moinho, ao meio dia.

Naquela tarde, a beleza da relva dourada e a alegria dos animais campestres não se equiparavam à felicidade da Andorinha que contemplava o mundo, vivenciando no coração a oportunidade de um novo amor. Entregava-se por completo àquele momento tão sublime.

Ao longe, ouvia-se os sinos da igreja. O contentamento deu lugar a uma tensão insuportável, pois o seu amor atrasara-se novamente... Mas, ela pensava: “Ele virá, eu sei. O que são alguns minutos?”. O tempo a olhou com desprezo e, grosseiramente, trocou a luz do dia com o frio da noite.

E a Andorinha, confiante, certa de que não seria abandonada novamente, esperou... e esperou...

O inverno pintava a paisagem de branco. As festas aqueciam as casas durante a noite e, de tanto beber, João retirou-se, dando boa noite aos amigos. Naquela noite, desnorteado, ele preferiu descansar em uma velha construção de madeira.

Sua mente se perdeu no passado, recordando o belo sorriso de uma jovem. Ria sozinho. Lembrava-se de ter abandonado alguém e de que seus amigos lhe agradecido por ter sumido com uma “esquisita”. Sentando em um bloco de gelo, lembrou-se que ela se chamava “Andorinha”.

Tentava recordar-se de sua face e percebeu que o rosto dela se assemelhava ao rosto aprisionado no gelo. De susto, deu um salto, aterrorizado com a visão; sentiu seu coração quebrar...

Ela o esperou, congelada na esperança...

Ele morreu, despedaçado na culpa...

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Esta fábula criei ao observar o comportamento de um amigo. Que tantos jovens atualmente apenas se aventuram no “amor” por diversão. Sem se preocupar com o sentimento do próximo, apenas consigo mesmo.

Aí eu pensei: “E se um dia ele encontrar a mulher perfeita e por infelicidade do destino deixar passar a verdadeira oportunidade?”.

Sim, é trágico. Oportunidades perdemos todos os dias e encaramos o espelho dizendo “viverei todos os dias como se fosse o ultimo”. E não notamos os pequenos detalhes que Deus nos coloca no caminho.

A Ninfa do Bosque

Autor: Darlan Villalba /

Era fim de tarde, o sol resplandecia com toda a sua graça no céu do verão, aquecia a alma do campo, mas eu enterrava as minhas lamentações no Bosque das Lamúrias.
Palidamente as folhas das arvores caiam, como se estivessem chorando. Quem entrava neste bosque sentia penetrar n´alma o gélido frio da montanha, era sempre outono e a umidade do solo são as lagrimas dos corações arrependidos.
Amarrei meu cavalo, que nunca olhou para mim, junto a uma arvore. Sentei numa rocha de frente ao rio e tirei da mochila as platônicas rosas do amor. Que há tantos anos nunca morreram, viviam sempre colorindo as janelas de minha casa, recebia todos os elogios, mas entretecia-me todas as vezes que olhava para elas.
Abria uma cova ao passado e antes de enterrar cada rosa, sorria, relembrando a doce dor de outrora. Enterrará a Rosa do Primeiro Amor, que rasgara o coração por não ter florescido mais. As Rosas dos Falsos Encontros, eram pálidas, nunca as deixei no sol. A Rosa do Desengano, como lamento por ter plantado-a. A Rosa da Amizade, tinha um pequeno botãozinho junto dela, nossa convivência me confundia, mas percebi que a minha ilusão não passou de um sonho. A Rosa Prometida, quando a encontrei, ouvia-se os sinos da igreja, derramei lagrimas quando a perdi. A Rosa do Segundo Engano, em momento de solidão, disse tudo que sentia, mas no fim engoli cada palavra, nunca mais a reguei novamente. A Rosa da Lua, tinha um azul suave com uma fita vermelha na ponta, quando a toquei, sangrei-me, engoli amargamente o gosto da ofensa e meu coração petrificou-se na desilusão, senti a dor de todas as rosas e minha casa se envolveu numa eterna escuridão...
Engoli as lagrimas para que não regassem o solo, não desejaria que voltassem. Ouvindo as suplicas das rosas enterradas, tampei os ouvidos, ajoelhando ao chão gritei que parassem e só ouvia risos. Quando abri os olhos, vi que faltou uma rosa, A Rosa Branca da Esperança, a mais bela e de aroma mais encantador. Sempre a deixei na cabeceira da cama, fantasiava noites imaginando como ela seria, se ela se apaixonaria por mim, mas tinha um sorriso estático que eu mesmo desenhei.
Sentei na margem do rio e apreciei as delicadas pétalas da rosa. Era a única que restava, a que despojei toda a minha confiança, era perfeita. Ouvia uma tristeza contagiante no bosque, de outros amores que se perderam aqui. E chorei. Minhas lagrimas tocaram a rosa e misturaram-se com as águas do rio. Esforçava-me que as não tocassem no solo, não desejo que saibam que estive aqui. Minha tristeza aumentou quando vi que as pétalas da Rosa Branca se perderam no rio. Aquilo era o fim de minha vida, desejei pular no rio e buscar minha ultima esperança, mas me acovardei ao fio de vida que me restará. Neste momento a água do rio se iluminou e de súbito saiu dele uma linda mulher. De susto cair para trás e ela pairava-se acima das águas.
Tinha uma aura branca, tão bela quanto a rosa que perdi. Sua beleza era pura e jovial. Teus cabelos refletiam os raios do sol. Seu sorriso era encantador, cativava a minha alma com teu carisma. Como criança, voava e girava sobre mim, eu era guiado pela sua presença. Tinha lindos olhos, cristalinos da cor do céu. Estendia os braços para mim, senti abraçando-a, o belo cheiro do seu corpo me contagiava e sentir-me tão leve quanto o vento.
Naquele momento senti a alma reviver e a vida dentro de mim fez-me aquecer o coração. O tempo naquele momento se perdeu e o bosque ganhou vida, florescendo como a primavera. Estendia os braços a todos os momentos para mim, não a toquei em nenhum momento. Tão forte era a sua presença em meu coração. Desejei que aquele momento fosse eterno. Perguntei por inúmeras vezes o teu nome, mas em resposta eu era invadido pelo seu lindo sorriso. No momento que a diria o quanto a amava, ela se desfez em luz, e por fim apenas senti o forte calor do sol sobre mim.
Será que foi tudo uma ilusão? Será que fui enfeitiçado pela brisa do bosque? Há uma lenda de uma bela ninfa do bosque que realiza os desejos dos corações sofridos. Ela levou a minha esperança e desejo encontra-la novamente e dizer tudo o que eu sinto.
Voltei à cidade com o meu cavalo indiferente. Pretendia voltar a minha vida comum, onde ninguém ler os nossos sentimentos e todos usam mascaras. Mas avistei na floricultura uma linda jovem. Espantei-me com tua beleza, se igualava com a ninfa do bosque. Fui em busca dela, acreditava que não era ilusão e seus lábios, que desejei tanto tê-los, me disseram que ela se chamava Mary. Fiquei paralisado pela emoção, a moça sem entender ficou me observando e eu fiquei vermelho como as rosas. Vi que ela tinha uma rosa branca no cabelo, pura como teu imaculado corpo.
Ela esperou uma resposta minha.
Eu coloquei toda a confiança na rosa.
Vivi aquele momento eternamente.
Num desejo verdadeiro que uniu a gente.





Que tipo de rosa deve ser ela?”

A Mente

Autor: Darlan Villalba / Marcadores:

A Saga Camaleônica, texto 3 de 6.

Por que continuamos recriando a mesma realidade? Por que continuamos tendo os mesmos relacionamentos? Por que continuamos buscando os mesmos empregos? Não é surpreendente que tenhamos opções e que existam potenciais? Mas que não estejamos conscientes deles?


O que é a realidade? Como sabemos...
A Mente
Sentado sobre a abóbada celeste, observo fios de pensamento rasgando o céu, de um lado a outro do planeta. Como raios numa tempestade enfurecida. Logo abaixo, encolhido em nossas casas, vivemos presos na teia da ilusão, que foi criado por nós, em nossos mais sinistros sonhos.

A sala é invadida por um azul hipnotizante, forçando-nos a mentir para nós mesmos. Atrofiando a mente, numa idéia simplória, de vivermos todos num mesmo ideal. Seguimos modelos e idolatramos criaturas desalmadas, comemos da lama e do lixo que nos é regurgitado e desejamos corpos perfeitos que faltam quebrar como palitos. A musica toca repentinamente no radio, marchamos cegos esmagando nossos inimigos e a todo o momento nos vitimizamos por erros cometidos no passado. Vivemos uma novela, mas não como na ficção, buscamos sempre um distante final feliz e nos viciamos em sentimentos artificiais que nos foram forçados a engoli.

Por que vivenciamos o mesmo sonho? Por que a esperança nos trás os mesmos amores? Por que a felicidade possui apenas uma face? O mundo é criado a nossa imagem e semelhança e sentimo-nos seguros cercados na frágil fachada de cristal. Usamos a falsa mascara de nossos ídolos, conquistamos a vaidade e apodrecemos por dentro.

Vejo somente clones a todos os lados. Somos como as aves, possuímos asas e somos tão livres como o céu, mas é só jogarem migalhas que virá um bando de pássaros esfomeados em busca de sua ração. Somos viciados no que vemos; o novo soa como uma invasão alienígena e corremos como galinhas assustadas. Quando acordamos, dopamos a nossa mente, nos envolvemos num véu e fantasiamos o nosso dia, como num filme. Mas que ainda não foi estreado.

Ilusão... Apenas ilusão...

A realidade torna-se tão concreta e inalterável, que sentimos pavor em cruzar a Porta das Possibilidades. Tornamo-nos insignificantes e inúteis diante da grandiosidade do mundo, desejamos não mudar e inertes, o mundo roda sem o nosso controle. Então somos objetos, não temos papel algum e não temos como mudar a nossa posição diante do mundo.

Penso... Logo existo...

Quando fechamos os olhos, o mundo se torna um turbilhão de tormentas no meio da tempestade, assim como os nossos desequilibrados pensamentos. Como se todas as pessoas, objetos e acontecimentos fossem formas-pensamento.

Mas, se a realidade é uma possibilidade mental, então ela só existirá pela minha ação. O futuro não o afligirá, pois ainda não aconteceu. E o Passado, é apenas o reflexo de nós mesmos, soando como uma lembrança distante e somos nós que abrimos as portas a Ele, e o Infeliz só pede para ser esquecido. Nós somos as engrenagens da roda do Tempo, ele só passará a existir pela nossa ação. A todo o momento assumimos um papel no mundo, mas ele não nos dá a verdadeira experiência, nós que escolhemos cruzar a porta. E, portanto, criamos a nossa realidade.

Quando o mundo torna-se entediante e vazio de idéias, quando nos deixamos ser invadidos por informações medíocres e pobres, ou quando nos espelhamos na beleza inalcançável, passamos a cultivar a casca seca de nossas vidas e impedimos que o fruto germine nossas idéias. Mas da inércia pode-se brotar até um belo jardim e passamos a buscar novos horizontes. O que você faria se o sol nunca despenca-se do firmamento? Perguntaria: por que da minha existência? Se estou aqui, qual o propósito? Qual o caminho a ser trilhado? E da morte, será o meu fim? É desesperador para uma criatura descobrir que no fim a vida foi uma farsa, mas se ela for contagiada por esta natureza, verá o seu mundinho desmoronar.

Todos nós que vivemos hoje possuímos a plena sabedoria de decidir seguir o caminho certo, mas quem pularia o precipício das ilusões e dos vícios? Para muitos seria a morte apenas olhar para as trevas do seu ser e perturbador olhar para trás e ver tudo que seria perdido. Este é o maior desafio de nossas vidas.

O caminho é estreito, certamente todos nós deveremos passar por lá. Mas, um dia devemos amar a vida tanto quanto amamos o vicio.

A única maneira de eu me sentir bem comigo mesmo, não é o que faço para meu corpo, mas o que faço para minha mente.

No final volto a minha vida, subjugando o meu mundinho e observando as inspirações despencarem na Terra, como estrelas cadentes. Mas ainda continuo criando ilusões para estancar a dor e a caminhar sobre a estrada de carvão escaldante. Comigo levo o retrato Dela, na eterna esperança de ter o seu amor, apaixonado pela expectativa em ser correspondido...
Texto baseado no documentário de física quântica - "Quem Somos Nós?".
Esta foi a primeira vez que demorei dois dias para se criar um texto.
Espero que tenham gostado e desejo tornar estes textos uma rotina semanal em meu blog.

O Vazio

Autor: Darlan Villalba / Marcadores:

A Saga Camaleônica, texto 2 de 6.


Tantos são aqueles que evitam de enfrentar um desafio e se excluem do resto do mundo. Outros com o coração cheio de orgulho, se iludam na fachada de cristal da vaidade. E aos desesperados, que se jogam contra o muro do sofrimento, desejando assim enfrentar a dor ou ser consumido por ela. Este é O Vazio, leia e o compreenda, um dia todos nós passaremos por lá...


O Vazio

Meus pensamentos tilintavam pelo salão, ecoavam e voltavam a mim. Nunca tinha sentido o quanto eram altos. Agora são gritos no silencio que me ensurdecem. O que adiantava fugir? Onde quer que eu vá, eu sempre estarei lá. Agora entendo a dor dos náufragos que se atiram ao mar.
Mesmo perdido a morte eu encontre, dela não seria merecedor. O ceifador só dá a honra aos justos e condena aqueles que a procura, instigando a imortalidade da Esperança. Mas eu, viajante do espaço, se continuar afastando de minha pátria, terei uma vida semi-mortal. Nem ao mundo dos vivos, nem ao mundo dos mortos.
Não é vantajoso afastasse tanto, o calor da vida lhe chama novamente a sentir o prazer da dor. O universo é um lugar que todos os pensamentos se acumulam, aqui a morte não existe e o esquecimento é eterno. O pensamento tem o peso de planetas.
Senti no amargo coração, o picante gosto da putrefação. Neste mar de águas negras, só encontrei desesperados e fascinados pela auto-estima. Loucos que condenavam a vida numa imagem pressa no espelho da ilusão. Viciados que queimava seu sopro vital, sentindo o prazer dos adormecidos abrasados a morte. Encontrei também, horríveis criaturas que choravam um choro de criança, exalavam pena e melancolia, seus corações eram vazios, pois tinham sido roubados.

O vazio é uma pequena caixa negra de espaço infinito. Onde se é bonito de se ver, tendo as estrelas ao seu redor e o sol, perdido no infinito, sorrindo, sempre nos dando esperança. Mas aqui as lagrimas não são de alegria e o sorriso não é de satisfação. Somos todos perdidos, buscando um pedaço que nos faltam.

Afastando-me um pouco destas criaturas, cultivando a estagnação de suas vidas. Aproximei-me um pouco do calor que me restava no coração. Parei para refletir. E apreciei o sol que se escondia por detrás do planeta, com a tua radiante luz refletindo sobre todo o firmamento...


Ao escrever uma crônica, nem sempre sei como será o final e por muitas vezes nem o título. Só sei o resultado ao termina-lo.

Os textos que escrevo escondem significados ocultos, que até o autor só descobre depois de reler dezenas de vezes.

Espero que este texto sirva para algum proveito a vocês.
Tenham um belo dia.