Um Conto de Fadas

Autor: Darlan Villalba /

“Elas estão a toda parte, brincando nas praças, envolvendo a todos com luz e colorindo este mundo com alegria. Ninguém consegue vê-las, pois estão todos ocupados com suas acomodações...”

Um Conto de Fadas
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Chagas eram curadas pelas mãos do Santo, sentimentos eram transferidos na linguagem do coração, devolvendo a paz e a tranqüilidade aos ouvintes. Dos lábios de quem os expressava, palavras ganhavam vida, emoção e amor a cada minuto. Mas em seu interior o Narrador sentia-se perturbado. Via apenas com seus olhos, sentado junto à porta, uma pequena fada. Comportada, concentrada, como se aqueles modos fossem totalmente contra sua verdadeira natureza.

O Narrador fechou o livro e os corações confortaram-se com a sua promessa em continuar a historia do Santo algum dia. Mas a sua mente estava inquieta com a presença da fada, que seguiu seus passos logo depois que abandonou o recinto. O nome dela era Liss, apenas ele sentia seu encanto, seu brilho, sua doçura. Logo ele estava envolvido com seu amor e com suas brincadeiras. A muito tempo não se envolvia com uma fada e prometeu nunca fazer isto, para não cair em seus encantos e nas suas ilusões.

Quando criança conhecemos estas pequenas criaturinhas. Como a inocência fazia parte de nossos corações, não éramos seduzidos ou embriagados com seu doce licor. Quando crescemos, abandonamos o reino delas e nos dedicamos a outros amores. Mas nem todos se esquecem delas. Alguns vivem no passado alucinando-se a cada lembrança. Outros observam apenas a distancia, lambendo os lábios desejando prová-las. Mas há os que se arriscam no Mundo das Fadas, experimentam seu delicioso licor, tornam-se imediatamente loucos e ficam presos no mundo delas. Um vicio que não tem volta.

Enquanto servia-se de um belo lanche, Liss agarrava-se em suas pernas. Se deseja-se, com apenas um “Não” ela se afastaria dele. Mas nunca teve a experiência com uma fada. Muitos dizem que não há sabor mais delicioso que o delas, que os deuses largariam os céus em troca disto. Em toda a sua vida ele observou as fadas, muitos não conseguiam vê-las, mas ele nunca as esqueceu. Nunca se arriscou em possuí-las, em saboreá-las, ele temia a droga que já matou a tantos.

Aquela era uma oportunidade única, jamais alguma se afeiçoou tanto a ele. Já houve momentos em senti-las bem próximas de seu corpo ou desnuda-las diante de seus olhos. A Liss era diferente, ela vivia sorrindo e rindo a qualquer coisa, voava e rodopiava a sua volta. Parece que ela fazia daquela casa seu lar, único lugar que ele presenciava sua companhia. Houve tempos que ele apenas adentrava no casebre para encontrá-la, momentos raros de pura alegria. Agora ele vivenciava a mesma emoção tendo-a agarrada em sua cabeça ou entre as suas pernas.

A poucos dias ele superou diversos obstáculos na vida e estava pronto em passar pelo Portal de Ouro maciço, estava pronto até para morte ou para ascensão, mas em seu passado ele deixou vivo um assunto pendente que o perseguia. Obstinava compreender a natureza das fadas .

Liss a cada momento sedia espaço as suas investidas. Ele sentia a boca secar desejando por tudo prová-la. Toda vez que a segurava entre as mãos, ela fugia como uma faísca. Não sabia se ficava perto dele por pura inocência ou apenas para provocá-lo. Mas toda aquela diversão não durou muito, ela ouviu alguém chamando-a. Voz que ele não conseguiu pressentir. Ela voou entre as grades da janela e sumiu na rua.

Pouco momento junto com aquele encantador ser durou uma eternidade. Exausto sentou numa cadeira e tomou um gole d´agua. Parece que uma parte de sua alma foi arrancada, ela lhe tirou um pouco de sua energia.

Dias depois, ele se envolveu na escuridão, procurando uma resposta para aquele fenômeno.

Enquanto isto mais se afastava do Portal de Ouro...


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Foi muito difícil tornar real este texto, mesmo que seja de facil leitura. Pois é arriscado falar sobre o Mundo das Fadas sem ser tachado como louco...

Folha em Branco

Autor: Darlan Villalba /

Lamentavelmente abandonei por um tempo meu blog. Passei por diversos momentos em minha vida, muitos que achei desnecessário relatar, mas no fim vi o tamanho do meu engano por ter cometido este erro.

Apresento a vocês uma historia que vivi no dia de hoje que contem uma horrível realidade paralela, no ponto mais épico de minha vida...

Folha em Branco
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Nos fins de semana a praça vivia sempre cheia de crianças, o caminho cheio de cerejeiras entrava em contraste com o lindo vestido florido de uma jovem mãe, seu corpo magro e suave confundia-se com o formato das arvores. Trazia uma rosa no cabelo e seu sonho era lecionar ou trabalhar com telemarket, este era seu nome: Rosa, O Anjo Mensageiro, que carregava um segredo no coração.

Rosa sentava-se no banco da praça com seus dois filhotes. Dois lindos bebês que conheceram o mundo a poucos meses. Era um dia especial, o ultimo domingo que ela visitava tuas crias, um dia de desprezo e alegria. Teu filhote mais novo fazia aniversario, mas rosa era muito humilde não tinha como dá algum presente a eles. A pequena dormia em teu colo e balançava o rabo enquanto a mãe acariciava tua cabeça. Com um sorriso pálido cantava uma musica de ninar, cheio de tristeza e rancor. Rosa olhava diante de si duas arvores que separavam-se, nunca se encontravam ou se tocavam. Rosa sabia que suas crias nunca a consideravam como mãe, chamavam-na de “Tia”. No meio da cantoria de ódio e vingança, lembrava-se de um passado triste e de um presente cheio de maus momentos.

Acreditava que sua vida seria mais feliz se estes dois pequenos tivessem sido gerados em seu ventre. Mas Rosa tinha um companheiro que a achava amarga, fria e de sorriso apático. Mas ela desejava muita felicidade, tanta, que só desejava para ela. Teu companheiro a trocou por uma Rosa Vermelha e Rosa viveu a chorar e a invejar. Quando veio ao mundo as duas pequenas, ela desejou toda a infelicidade do mundo ao seu ex. Naquele tempo, abortaram dela tuas crianças.

No fim da tarde, o sol descia ao firmamento e queimava o céu num vermelhidão encantador. Antes de se despedir, Rosa lembrava-se que trazia na bolsa dois iogurtes contigo. Não tinha nada a dá, apenas isto, para eles nunca se esquecerem dela. Antes mergulhou em cada iogurte lagrimas de felicidade, pílulas rosadas como sua pele. Os dois ratinhos lamberam até o fundo dos frascos, agradeceram-na dando um belo abraso e ela retribuiu sorrindo com a expressão mais fria que o inverno.

Quando os ratinhos dormiram no banco da praça, ela largou teus corpos frios e saiu balançando o rabo, com o focinho empinado lambendo os lábios na doce vingança.

Rosa atormentava-se todas as noites em sua casa. Via nas paredes os rostos dos ratinhos implorando por ela que os despertassem. Era atormentada por pesadelos vividos nas apertadas paredes de sua casa. Via sempre os pais-ratazanas chorando por suas crias e culpando-a de morte pelo bárbaro crime. Rosa se desesperou ao cair da cama vendo os ratinhos agarrados em cada perna, famintos, imploravam pelas gotas de felicidade que empalideceram tuas faces pela eternidade.

Ela correu pela rua em busca do perdão das ratazanas, mas neste momento passou o centro de controle de animais e a enjaulou enquadrando-a como louca.

Os ratinhos sobreviveram, o mais novo ainda continua no veterinário e o outro permanece junto aos seus pais.

Aqui termina a historia de Rosa, A Raposa. Desejaria muito ver um final feliz a ela, mas para mim só me resta uma pagina e nela não cabe um final feliz.

Rosa um dia lhe visitarei no cárcere, espero que você tenha se recuperado do surto.
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Lendo esta crônica ela poderia receber qualquer outro titulo O Anjo Mensageiro ou “A Raposa e os Ratinhos”, mas merecidamente recebeu o titulo de “Folha em Branco”.

Pois hoje houve uma folha em minhas mãos, todos a minha volta estavam ocupados e a Rosa que continha no texto ria de mim...